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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

♥ Uma birra vista por dentro

Todas as birras obedecem a um padrão. Saiba como reagir e nunca se esqueça: as birras fazem parte do desenvolvimento normal de uma criança. A culpa não é sua!

Alguma vez pensou que as birras podiam tornar-se um objecto de estudo? Michael Potegal, neuropsicólogo da Universidade de Minnesota, e James Green, da Universidade de Connecticut, EUA, decidiram dissecar as birras das crianças para melhor entender o que elas sentem.
Se ainda não têm capacidade para exprimir por palavras as suas emoções, talvez seja útil que pais e educadores saibam entender os seus sinais corporais e as suas vocalizações. Foi o que pensaram os investigadores.
Gritar, espernear e atirar-se para o chão obedecem a um padrão, apesar de poderem ter várias nuances e intensidades e poderem sobrepor-se em algum momento. As birras têm um ritmo próprio, segundo ficou demonstrado por este estudo, publicado no jornal científico Emotion.
Se os adultos entenderem o padrão e o ritmo de uma birra, será mais fácil reagirem da melhor forma. Por outro lado, será mais fácil também distinguirem uma birra normal, que faz parte do desenvolvimento de todas as crianças, de uma birra que pode ser sinal de alguma perturbação no desenvolvimento ou bem-estar emocional da criança.

Anatomia de uma birra
Para dissecarem as birras, os investigadores criaram um fato especial com um microfone incorporado e gravaram mais de 100 birras. Depois analisaram as gravações e estabeleceram padrões, com a ajuda de gráficos. Analisaram também vídeos domésticos cedidos por pais. Perceberam que os mesmos sons surgiam, normalmente, com um padrão definido:
- Primeiro os gritos agudos e berros.
- Depois acções físicas como arremessar coisas e atirar-se para o chão.
- Por fim, choro e lamentos e a necessidade de consolo.
Seja qual for o tempo de duração ou a frequência com que acontecem, todas as birras seguem este padrão.

Gritos agudos e berros podem a certa altura ocorrer em simultâneo com pontapés. Choro e lamento também podem ter início quando a criança está no chão. Mas a sequência é sempre a descrita.

Um turbilhão de emoções em simultâneo
Por outro lado, não é verdade que a fúria e a tristeza correspondam a duas fases distintas da birra. As duas emoções estão muito interligadas e podem estar presentes ao longo de todo o episódio. Lamentos que revelam tristeza e picos de gritos que revelam raiva vão-se intercalando ao longo da birra.

O melhor que os pais podem fazer: nada!
O segredo para que a birra acabe rapidamente é deixar que a criança passe pelos picos de raiva que fazem parte de todas as birras e não os prolongar. Como? Não fazendo nada. É difícil, claro, mas os pais devem perceber, segundo Michael Potegal, que a raiva é uma armadilha. Qualquer reacção, mesmo que seja fazer perguntas, só vai prolongar a birra. Tentar conversar é acrescentar informação a um sistema que já não consegue lidar com mais nada.
Da mesma forma, não se deve responder racionalmente a exigências irracionais que as crianças fazem enquanto estão a ter uma birra. Nessa altura, nos picos de raiva, só se deve mesmo esperar que passe.
Assim que a criança expressar toda a raiva que tem de expressar, só vai ficar a tristeza e a procura de consolo.

As birras fazem parte do desenvolvimento, não resultam de incompetência educativa dos pais
Analisadas cientificamente as birras não são muito diferentes de fenómenos naturais, como a trovoada, por exemplo. Entender o seu fluxo e padrão, vai dar aos pais uma sensação de controlo que é muitas vezes o que lhes falta e o que pode agravar a situação.
Os pais não devem sentir-se culpados pelas birras, o que por vezes acontece - sobretudo quando as birras ocorrem em público e há olhares reprovadores perante a cena, como se ela resultasse da incompetência deles. Fazem parte do processo de desenvolvimento. Com este ponto de partida, só têm de saber como ajudar a criança a chegar ao fim, em vez de contribuir para prolongar o fenómeno.

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